quarta-feira, 4 de junho de 2014

O dia em que perdi o amor da minha vida.

Lucas, 2007.

Eu não conseguia parar de suar, não sentia os meus pés e o pior de tudo é que eu teria de andar para poder falar com ela, aquela garota que me deixava que nem um babaca com as mãos trêmulas e que mal conseguia falar, permaneci sentado estalando os meus dedos, ela estava do outro lado da quadra conversando com as amigas, era intervalo, ou seja, o meu tempo diário de vê-la era limitado. Quinze minutos de segunda a sexta. 

Por que diabos eu tive que repetir a sexta série? Mesmo que eu fosse mais velho, ainda estava um ano atrasado e além do mais nossas salas eram ao lado uma da outra, por idiotice perdi a mulher da minha vida, como eu  me odiava por não ter estudado pra aquela maldita prova de recuperação.
Malditos amigos que me chamaram pra jogar futebol um dia antes da prova, maldito seja o Paulo que não me passou cola.. quem eu quero enganar? Maldito seja eu que não estudei! Por idiotice minha perdi o amor da minha vida.

Droga, veio um vento repentino e fez os seus cabelos voarem e ela deu aquele sorriso lindo com covinhas que me fizeram ficar estático, boquiaberto e com cara de bobão novamente. 8 minutos. MALDITO TEMPO, por que tens que passar TÃO rápido?!

Levantei praticamente cambaleando e fui em direção ao banheiro masculino, me olhei no espelho e eu estava parecendo um fantasma de tão pálido, Por que tenho que ficar tão nervoso assim?! Ela só é uma garota, ora bolas! Garotas são metidas e chatas! Ela só tinha um sorriso lindo, um cabelo ruivo que a deixava completamente perfeita e as sardas.. Sacudi minha cabeça para afastar esse pensamento e me concentrar na minha missão  intitulada "Dê pelo menos um oi pra ela, seu otário"

Molhei meu cabelo, tentei ajeitar ou pelo menos deixar com um jeito mais aceitável pra ela não pensar que estava morrendo( o que na verdade estava acontecendo), olhei pro espelho e repeti "Oi, tudo bem? Prazer meu nome é Lucas, sou do sétimo ano" "Prazer princesa, me chamo lucas" "Poderia estar matando, roubando, mas, estou aqui me apresentando pra você" "TU É LINDA, PELO AMOR DE DEUS FALA COMIGO " opa, deixei cair algo perto de você.. olha um anel de noivado, CASA COMIGO?"

Revirei meus olhos e passei a mão no meu rosto me questionando desde quando eu tinha me tornado um idiota por completo, por que tive que mudar de colégio? Olhei pra uns rolos de papel higiênicos que tinham perto da pia e resolvi me distrair, peguei alguns, molhei e joguei-os no teto, joguei o maior número possível no teto  tentando me distrair quando eu escutei a voz do josé, o monitor de corredores, seguidos de um grande alarme. Os meus quinze minutos tinham terminado. Comecei a xingar o universo, quando vi que ele estava vindo em direção ao banheiro, imediatamente sai apressado quando esbarrei em algo, ou melhor, em alguém, nem olhei a pessoa e sai logo falando "Não olha por onde anda não?"

Quando fui fitar a pessoa, eu fiquei esbabacado. Estudavam mais de 500 alunos nesse colégio e eu tinha que esbarrar justamente na mulher da minha vida enquanto estou fugindo de um futuro castigo? ESPERA, POR QUE EU TO RECLAMANDO? É A MULHER DA MINHA VIDA AI NA MINHA FRENTE, SEU BABACA! E TU AINDA FOI GROSSO COM ELA! " Você que saiu correndo como se estivesse fugindo da policia" Ela disse com a voz mais doce do mundo que instantaneamente me fizeram esquecer que eu sei falar e eu só consegui pronunciar "Foi mal.." e voltei a correr. 

Isso mesmo, o cara-mais-inteligente-que-repetiu-a-sexta-serie-por-burrice estava fugindo do amor da sua vida por que jogou papel higiênico no teto do banheiro.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Clichezando.

Acho que é uma das poucas vezes que escrevo sem aquele "aperto no peito" , sem aquele sentimento de tristeza e muito menos de dor, me sinto leve, me sinto mais determinada, de uma maneira mais madura.
Se eu viajasse no tempo e encontrasse a Silvia de três anos atrás, eu cometeria os mesmos erros, faria amizade com as mesmas pessoas, só para não deixar de ser a pessoa que eu me tornei hoje. Acho que estou um pouco orgulhosa.
Não nego que me perdi muitas vezes no meio do caminho reneguei a minha própria essência, chorei até não aguentar mais, gastei vários cadernos tentando transcrever a minha dor, procurava respostas para questões tão bobas 'Ele me ama?' 'Vou conseguir tirar uma bota nota nessa prova?' 'Vou passar no vestibular?'
Contudo, se eu não tivesse 'perdido tempo' me preocupando com essas questões, não teria chego aonde eu me encontro hoje. Me considero uma vencedora, uma batalhadora, pra ser mais exata, que mesmo diante de tantos obstáculos, mesmo olhando pro céu e respirando fundo, nunca joguei tudo pro alto e me entreguei. Pelo contrário, discorria minhas dores em pedaços de papeis, dividia minhas aflições com meus amigos, acabava por deixa-los preocupados, porém, tudo foi se encaixando de uma maneira extraordinariamente boa. Tudo foi se resolvendo.
Perdi pessoas ao longo dessa minha caminhada? Muitas.
Me decepcionei? Inúmeras vezes.
Mas, usando aquela frase clichê "se eu pudesse voltar no tempo faria tudo novamente"
E de cá eu vou tentando melhorar ainda mais, tanto na escrita quanto na pessoa que eu me tornei, afinal o mundo está em constante mudança e eu não escapo disso.
Espero ainda desenhar muitos bonequinhos palitinhos no canto do meu caderno naquelas aulas chatas, apreciar uma boa conversa cheia de 'besteiras' para alguns, toda via, no contexto certo e no momento certo adquirem significados inimagináveis, escutar músicas aleatórias de bandas desconhecidas e usa-las como trilha sonora de um filme que só eu conhecerei e aprender a valorizar os amigos que eu tenho e poder ao menos uma vez por ano reunir todos e apreciar um belo por do sol.
Não queria pedir muito pra 'Silvia do futuro' só desejo que ela nunca deixe de acreditar nela mesma e nunca desista de lutar pelo o que ela realmente acredita e mude o mundo ou ao menos morra tentando.
Poetizando a vida e sendo, enfim, muito feliz.