quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Com um pequeno gesto tudo fez sentido.

Eu estava na parada de ônibus à espera do meu bendito Guamá presidente Vargas que sempre tardava a chegar. Meus amigos sempre me falaram que eu sou muito sonhadora e sou mesmo, amo propor histórias pra pessoas aleatórias, suponho que cada rosto tenha um mistério guardado por debaixo dos desgostos do dia-a-dia.

E foi assim que repousando o olhar avistei um casal sentado no banco da praça do operário, em frente do ao terminal rodoviário, um homem de estatura média de cabelos longos e loiros, sem camisa, visivelmente amanhecido fitava uma mulher morena, a mesma procurava não encara-lo, ele gesticulava como se quisesse respostas. O casal em si não foi o que me chamou a atenção, mas, sim a tristeza nos gestos dela. Ela colocava as mãos sob as pernas, fechava o punho e sempre olhava as folhas que caiam das árvores, de alguma maneira as folhas prendiam totalmente a sua atenção. Creio que ela se personificava na folha, como se a sua vida estivesse caindo, caindo..

A moça só esperava que tivesse uma aterrissagem leve e que um novo ciclo começasse com a chegada de uma nova estação. Foi então que ela sorriu e respondeu algo ao rapaz. A expressão dele era um misto de susto/angústia/terror, ele cruzou as pernas, colocou o cabelo atrás da orelha e não disse uma palavra.

Então, com um único gesto tudo adquiriu um completo sentido. Ela levou a sua mão até a barriga e acariciou como quisesse proteger o seu futuro filho(a) do egoísmo do mundo e ele se inclinou colocando a mão sob a dela, suspirou e deu um pequeno sorriso apoiando-a.


Logo vejo uma movimentação na parada, pensei que as pessoas ali tinham captado o que  eu tinha acabado de ver , porém, era apenas o meu bendito Guamá que tinha chego. Só que hoje  eu estava feliz com o atraso dele.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O dia em que perdi o amor da minha vida.

Lucas, 2007.

Eu não conseguia parar de suar, não sentia os meus pés e o pior de tudo é que eu teria de andar para poder falar com ela, aquela garota que me deixava que nem um babaca com as mãos trêmulas e que mal conseguia falar, permaneci sentado estalando os meus dedos, ela estava do outro lado da quadra conversando com as amigas, era intervalo, ou seja, o meu tempo diário de vê-la era limitado. Quinze minutos de segunda a sexta. 

Por que diabos eu tive que repetir a sexta série? Mesmo que eu fosse mais velho, ainda estava um ano atrasado e além do mais nossas salas eram ao lado uma da outra, por idiotice perdi a mulher da minha vida, como eu  me odiava por não ter estudado pra aquela maldita prova de recuperação.
Malditos amigos que me chamaram pra jogar futebol um dia antes da prova, maldito seja o Paulo que não me passou cola.. quem eu quero enganar? Maldito seja eu que não estudei! Por idiotice minha perdi o amor da minha vida.

Droga, veio um vento repentino e fez os seus cabelos voarem e ela deu aquele sorriso lindo com covinhas que me fizeram ficar estático, boquiaberto e com cara de bobão novamente. 8 minutos. MALDITO TEMPO, por que tens que passar TÃO rápido?!

Levantei praticamente cambaleando e fui em direção ao banheiro masculino, me olhei no espelho e eu estava parecendo um fantasma de tão pálido, Por que tenho que ficar tão nervoso assim?! Ela só é uma garota, ora bolas! Garotas são metidas e chatas! Ela só tinha um sorriso lindo, um cabelo ruivo que a deixava completamente perfeita e as sardas.. Sacudi minha cabeça para afastar esse pensamento e me concentrar na minha missão  intitulada "Dê pelo menos um oi pra ela, seu otário"

Molhei meu cabelo, tentei ajeitar ou pelo menos deixar com um jeito mais aceitável pra ela não pensar que estava morrendo( o que na verdade estava acontecendo), olhei pro espelho e repeti "Oi, tudo bem? Prazer meu nome é Lucas, sou do sétimo ano" "Prazer princesa, me chamo lucas" "Poderia estar matando, roubando, mas, estou aqui me apresentando pra você" "TU É LINDA, PELO AMOR DE DEUS FALA COMIGO " opa, deixei cair algo perto de você.. olha um anel de noivado, CASA COMIGO?"

Revirei meus olhos e passei a mão no meu rosto me questionando desde quando eu tinha me tornado um idiota por completo, por que tive que mudar de colégio? Olhei pra uns rolos de papel higiênicos que tinham perto da pia e resolvi me distrair, peguei alguns, molhei e joguei-os no teto, joguei o maior número possível no teto  tentando me distrair quando eu escutei a voz do josé, o monitor de corredores, seguidos de um grande alarme. Os meus quinze minutos tinham terminado. Comecei a xingar o universo, quando vi que ele estava vindo em direção ao banheiro, imediatamente sai apressado quando esbarrei em algo, ou melhor, em alguém, nem olhei a pessoa e sai logo falando "Não olha por onde anda não?"

Quando fui fitar a pessoa, eu fiquei esbabacado. Estudavam mais de 500 alunos nesse colégio e eu tinha que esbarrar justamente na mulher da minha vida enquanto estou fugindo de um futuro castigo? ESPERA, POR QUE EU TO RECLAMANDO? É A MULHER DA MINHA VIDA AI NA MINHA FRENTE, SEU BABACA! E TU AINDA FOI GROSSO COM ELA! " Você que saiu correndo como se estivesse fugindo da policia" Ela disse com a voz mais doce do mundo que instantaneamente me fizeram esquecer que eu sei falar e eu só consegui pronunciar "Foi mal.." e voltei a correr. 

Isso mesmo, o cara-mais-inteligente-que-repetiu-a-sexta-serie-por-burrice estava fugindo do amor da sua vida por que jogou papel higiênico no teto do banheiro.