sexta-feira, 6 de maio de 2016

Voar.

Eu-lírico masculino.


Ela tinha três sinais que formavam um triangulo nas suas costas, nunca fui de reparar em detalhes, engraçado como as coisas mudam. Agora reparo em todo e qualquer detalhe dela, a maneira de andar meio desfilando, o jeito de que quando esta nervosa não consegue parar de falar,de querer assistir todos os filmes,mas, sempre ficar indecisa por qual começar e acabar não assistindo nenhum.

Sempre fui desligado da minha vida, tanto pessoal, quanto academicamente. Não culpo signos, minha preguiça ou mil tantas outras coisas,só que simplesmente sou assim. Vivo desligado, caminhando há lugar nenhum, nunca tive algo realmente interessante pra contar… só assistia a vida passar.

E foi assistindo que a encontrei, da maneira mais inesperada possível. Avisto um grupo de garotas pelos corredores da universidade e ela fazendo algum tipo de dança, escutei rapidamente ela comentar algo como “a dancinha da felicidade”, ela mexia os braços e pernas do jeito mais hilário que já vi na vida, nunca vou esquecer essa cena.

Foi o jeito sem vergonha dela que me encantou, o jeito único de ver a vida…

Não estou a colocando num pedestal, por que ela tinha seus problemas sim e como tinha.. numa conversa comigo, ela citou algo que não consigo esquecer “passarinhos que vivem em gaiolas acreditam que voar seja doença” Ela era o passarinho. Sim, aquela garota que ocupava-se em fazer os outros felizes, vivia presa numa gaiola.

Só que, apesar de tudo, mesmo se abatendo de vez em quando… não perdia a sua essência, continuava fazendo piadinhas com coisas idiotas e me dando um sentido na vida.

Agora entendo que a vida está muito muito muito além do que se vê, tem seus altos e baixos, que devemos viver um dia de cada vez e que apesar de pessoas ruins terem passado nas nossas vidas devemos extrair coisas boas disso. Pessoas vêm e vão, nossa vida é com aqueles que ficam.

Guardar mágoas só te atrasa, te leva pro lado negro da força, tem que haver um equilíbrio. Ela me ensinou isso. A garota dos olhos grandes, do batom vermelho, dos cachos com as pontas queimadas pelo sol, que tem vênus em capricórnio,mas, é totalmente pisciana.



A minha garota, a menina que eu espero um dia conhecer… que irá vencer e, enfim, voar pra onde quiser.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Eu gravei um CD.



Vestido dois dedos acima do joelhos, batom vermelho, o cabelo preso num rabo de cavalo com dois fios soltos sob a minha testa, o jeito que você gostava, que amava e me mimava. Hoje não era uma segunda qualquer, não era aquele tipo de segunda que as pessoas odeiam, a segunda da ressaca, era uma segunda calma, preguiçosa.. era a nossa segunda.

Tinha passado a maior parte da noite separando as minhas músicas preferidas e as nossas músicas acabou que eu gravei tudo num CD, eu sei o quanto soa brega, mas, quem disse que o amor não é brega?! Amor é correr pelo parque sem medo do que as pessoas vão pensar, é pedir mc lanche feliz só por causa do brinde, é tocar três vezes a campainha da sua casa por que é o nosso “bat-sinal”, é sentar na beira da cama do seu quarto só pra sentir o seu cheiro.

Cada um tem a sua definição, vale lembrar. Mas, é um sentimento universal. Lembro dos detalhes: Nesse dia, você estava com a sua camisa preferida do batman, você tinha tentado cortar o seu cabelo sozinho e tinha dado tudo errado, além de estar com os seus óculos cheios de água, pois, estava caindo uma chuva torrencial. Tudo normal.

Foi então que você não sorriu mais, não me abraçou mais, não era mais o mesmo. A aparência era a igual, mas, o interior, tudo tinha mudado. Me perguntava como isso tudo tinha acontecido tão rápido. Eu tenho apenas lapsos daquele dia “Precisamos conversar” “Não tá dando certo”.

Aquelas frases clichês que a gente sempre fala mas, nunca quer escutar.

E o CD 
ficou
cheio
de
poeira.