sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Não vou.

 

- Você sabe que precisa tentar, já se passaram 730 dias. Não existe nenhum tipo de documentação que de pra você adiar isso, a realidade vai te puxar, de uma forma ou de outra.

Escutei e senti todo o meu corpo se remoer em um labirinto de emoções e medos, a reclusão tinha sido a melhor forma de escapar desse mundo que me embalsamava com seus juízos de valor, até porque é muito fácil apontar e dizer oque deve fazer quando não foi você que passou pela situação. Meu cabelo liso que era enorme, estava na altura da minha orelha, eu tinha tido a ideia de cortar em uma madrugada tentando fugir da realidade novamente. Respirei fundo, olhei para a silhueta alta e com os cabelos castanhos escuros que bufava perto de mim, sua camisa estava molhada pela chuva do final da tarde, ele passou a mão lentamente pelo rosto tentando limpar as gotas de chuvas que se acumularam ou seriam suas lágrimas? Seus olhos estavam vermelhos, ele sempre chorava quando vinha me pedir reações. Respirei fundo e tentei acalmar a minha mente, quando disse:

- Eu não quero e não vou. Você sabe que não é questão de dias, horas ou minutos, mas de momentos e sensações. Eu não consigo, eu não sinto.

Ele desviava o olhar enquanto escutava a mesma frase de sempre, então continuei.

- Existe uma parede ali e eu não consigo passar dela, já empurrei, já tentei chutar e só me machuquei. Existe um vácuo nesse pequeno espaço entre ela e eu. Cara, eu não consigo, eu não sinto nada. Você me entende? N-a-d-a.

Senti o peso do seu olhar sobre mim na porta da minha casa, vi seus ombros ficarem tensos e ele deu um passo em minha direção, vi apertar suas mãos, estava nervoso, eu sabia oque estava por vir, já havia decorado suas falas, ele respondeu:

- Uma hora, não sei quando, mas você vai precisar matar esse fantasma que te persegue. Nem todo mundo é escroto nesse mundo e tu sabes disso.

- Eu sei que não. Quando eu estava chorando de madrugada pedindo que a dor passasse de alguma maneira, quem estava lá? Eu. Quando eu me culpei por todos os erros de terceiros quem estava lá? Eu. Quando eu fiquei sufocada com tanta coisa pra falar e a minha única solução foi ficar calada pra não sobrecarregar ninguém, quem estava lá? Eu. Quando eu prometi pra mim mesma que não me deixaria NUNCA MAIS em nenhuma situação parecida, quem estava lá? Eu. Quando cada nervo do meu corpo se contorcia como se estivessem queimando a minha pele só de comentar sobre tal assunto, quem estava lá? Eu. Quando eu pensei e coagitei que só existia um caminho possível pra me livrar dessa dor, quem estava lá? Eu. E, principalmente, quando eu não conseguia respirar no meio do banho por ter que chorar escondida e depois fingir estar feliz na frente de todos, por que tu sabe, ne? Esse é o esperado de mim.. quem estava lá? Eu. Então, quando tu coagitares que não me dou essa chance, espero que consigas voltar no tempo e estar presente nesses momentos.

Então, eu sacudi a minha mão sinalizando um adeus e vi a silhueta daquele ser dissipando no ar, suspirei e finalizei: Eu não quero e não vou, passar bem.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Diário.


Estava vasculhando os armários antigos da minha avó procurando fotos antigas pra terminar de montar a árvore genealógica da família Rodrigues, nunca imaginei que fosse dar tanto trabalho ser descendente de portugueses, mas, era algo que me intrigava.

Nunca me imaginei como uma “Bruna Rodrigues”, naquele meio familiar, social e até mesmo em relação aos meus amigos tinha me afastado, era como se uma grande nuvem escura pairasse sobre mim o tempo todo e por mais que eu quisesse, não conseguia sair daquele limbo de pensamentos ruins que só cresciam e me dominavam com o passar dos dias. Eu sentia a tristeza na minha pele, nos meus dedos e em cada parte mínima minha que fosse, a dor de ser inútil me corria e me inundava que, por vezes, preferia estar em uma ilha deserta do que conversar com alguém.

Porém, era óbvio que ninguém percebia. Se tinha uma coisa que eu tinha me tornado mestra era em fazer piadas em momentos necessários e sorrir nos momentos oportunos, todos me visualizavam como um membro exemplo da família Rodrigues, pois, eu cumpria o papel  de boa filha ao qual fui designada com nota dez.

Espirrei e vi dentro do báu, um caderno remendado e se desfazendo em virtude do tempo de uso, passei a mão para retirar a camada de poeira e li, a palavra “diário”. Me questionei o quanto seria evasivo ler algo dali, mas, a curiosidade moveu minhas mãos antes que eu pudesse concluir qualquer coisa.

Na primeira página, tinha uma carta que mais parecia um relato. A data estava manchada.

“Eu decidi que não aguento mais, meu nobre diário. É uma dor que passa por todos os meus órgãos, eu não quero mais viver no canto escuro e inesperado. Não quero mais sorrir sem sentir absolutamente nada, não tenho mais forças para chorar.

Aproveitei que era madrugada e procurei pela casa algo que pudesse cessar tudo indefinidamente, a ânsia de vômito pelo nervosismo era tamanha que mal conseguia andar, pois, minhas pernas tremiam. Mas, eu sabia, eu sabia que aquela madrugada seria a última. Procurei por algo afiado, contudo, parece que tudo estava muito bem escondido, até que desabei no chão da sala com as minhas mãos segurando meu corpo, eu me remendava a todo instante, com os olhos cheios de lágrimas, olhei para algo brilhante no canto da mesa, era a caixinha de agulhas. Não era bem oque eu procurava, porém, era a minha válvula de escape.

Me arrastei até a mesa, já que o meu corpo se recusava a andar e apenas se tremia, eu tinha medo, medo de alguém chegar, medo de ser covarde, mas, o meu maior medo era continuar vivendo naquele fingimento e isso era oque movia minhas mãos ao abrir aquela caixa e pegar as agulhas. Foi quando direcionei para o meu pulso esquerdo e comecei a colocar a pontinha na minha pele, afundando e criando um caminho, o caminho que naquele momento era o meu livramento, a minha liberdade para algo maior.

Foi quando eu senti um baque. Não conseguia respirar, as lágrimas cessaram e foi um sentimento que inundou todo meu corpo em êxtase, eu congelei por alguns segundos e senti a presença de alguém ali. 

Obviamente, eu não enxergava a pessoa, mas, senti que tinha alguém ali. Então, minha mente foi inundada por memórias, dos meus pais me abraçando em comemorações e momentos difíceis, todas as minhas suadas conquistas, as histórias com os meus melhores amigos e percebi o quanto cada um me amava de uma maneira intensa e profunda. Era o que eu sentia naquele momento. Então, as agulhas caíram da minha mão e aquilo não fazia mais o menor sentido. O meu clique, o sentimento, a gratidão por algo que eu jamais vou conseguir entender ou descrever, eu percebi que, por mais que pensamos nas derrotas e nos momentos sufocantes, nós nunca estamos sozinhos. Nunca mesmo.

Quando eu terminei de ler aquilo, meu corpo estava frio e eu apertava o diário sob o meu coração, era inacreditável como um relato teria tanto efeito na minha vida. Obrigada vó, afinal, por me fazer enxergar que nós nunca estamos sozinhos. Nunca mesmo.








sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Escuridão.


Escuridão.. não é nada mais além disso quando você está no fundo do poço, seu corpo treme, sua respiração fica falha, seus pulmões ficam pequenos e tudo parece tão turvo, você não consegue enxergar nada mais além disso.  A grande imensidão da ausência de tudo.
Você só consegue tremer e ficar sentada no fundo desse poço, você escuta vozes que estão tão longe que se tornam murmúrios. Elas devem falar algo positivo, mas, você não consegue distinguir porque não consegue ver nada além do fundo do poço. Isto é, quando você está no fundo do poço.. não tem mais pra onde olhar, senão, pra baixo.
É nesse ponto que eu quero chegar, permita-se sentir cada pontada desse momento, a dor, as lágrimas, a tristeza sem fim, mas, você não pode deixar que esse sentimento te domine ou pior.. te tire da luz. Então, olhe para o lado e veja, mesmo que sejam apenas sombras turvas, veja as pessoas que te fizeram bem durante a sua vida, visualize e sinta cada abraço, cada palavra de incentivo, cada sentimento positivo, eu sei o quanto é difícil imaginar, pois, você não consegue enxergar nada além da escuridão.
Mas, tente. Largue de mão o “não” e viva o “talvez”, tente lembrar dos pequenos momentos, do sol tocando seu rosto, de você levantando todas as manhãs, tomando seu banho e dando um passo de cada vez.
Na história da sua vida você é o sol,contudo, isso não quer dizer que não terão dias nublados, trevosos e chuvosos, vão ter dias que você não vai brilhar muito e tudo bem. Porém, não deixe esse tempo ruim dominar todos os seus dias do ano, tudo é passageiro, lembre-se que você pode brilhar quando quiser.
Logo, não há tormenta que não seja infinita, então, se o dia estiver chuvoso, coloque uma música e dance na chuva.

Permita-se viver.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Eu te vi.

Eu te vi.
Em novos lugares, conhecendo novas pessoas, estabelecendo ligações das quais não posso perguntar, eu te vi descendo e subindo a rua incontáveis vezes porque não sabia usar o Google Maps e se perdia sempre porque pegava  o ônibus errado, eu te vi na mais derradeira festa com os cabelos soltos e já sem tanta forma de tanto dançar, eu te vi conquistar grandes coisas como a sua formação e pequenas coisas como aprender a fazer arroz, eu te vi como ninguém nunca antes te conheceu, não apenas tua pele, teu pescoço e as tuas curvas, te vi sentada no canto do seu quarto com as luzes apagadas chorando como se o amanhã nunca fosse chegar, pedindo e implorando pra que tudo desse certo. Isso ninguém viu. Só eu.

Vi quando tentaram te calar, te consertar, te diminuir, quando te colocaram dentro de um quadrado de pessoa sorridente, sensível e engraçada, mas, no fundo ninguém, realmente, sabe do que você passa. Só eu.

Te vi como muito mais do que um amontoado de textões, de abraços, de lesuras e de pontos em seguida e tudo bem que você não me enxergue, eu só queria que você compreendesse que a melhor parte de você vai muito além da sua formação, das suas lágrimas, da sua sensibilidade e do seu jeito estabanado, você é feita de sentimentos e oque acontece a partir desse ponto é consequência disso, isso nunca foi um defeito.

Eu entendo que você admire tudo oque conquistou, mas, não quero que você jogue fora os tijolos mais importantes da sua construção. Isso te levaria pra longe de você mesma.

E é sobre isso que eu quero falar, que você não deve tirar tijolo nenhum da sua construção por causa de ninguém. Você não deve se desmoronar.


Você não deve se imaginar como um gasto, como um peso ou até mesmo como um acúmulo de sentimentos ruins. Quando você estiver nesse estado, eu vou estar lá e por mais que as pessoas insistam em falar que aquele não é o seu lugar, eu quero que você – chorando ou não- diga, em alto e bom som:  
- Eu, me aceito, com todos os erros e defeitos, que entendo que o passado realmente foi importante, mas, oque realmente existe agora é o presente. O fim do meu antigo eu, foi um novo começo pra mim.  Eu me reconstruo todos os dias com a minha nova linguagem que não precisei de nenhum diploma pra lecionar, mas, foi preciso de 24 anos da minha vida pra aprender.. o amor próprio.



quarta-feira, 3 de abril de 2019

Carta aberta ao meu querido corpo.


Belém, 23 de março de 2019.

Olá, meu querido corpo. Começo essa pequena carta sentada na cadeira em uma posição horrível a qual eu sei que as minhas costas vão doer depois, queria te pedir desculpas por isso. De acordo com o Dicionário essa pequena palavra tem alguns significados, mas, escolhi usar esse: “razão ou motivo alegado por alguém para desculpar a si mesmo ou a outrem; justificativa.”

Estou me olhando no espelho de cabeceira vendo esses braços pequenos e magricelas, é justamente por isso que eu decidi conversar com você, eu demorei demais para te dar uma pequena satisfação de tudo. Não me arrependo dos lugares que te levei, das pessoas que te fiz conhecer e de todo esse processo doloroso que você vem passando desde o final do ano passado, eu não me preocupei em te tratar melhor assim como não rebato quando me veem e a primeira coisa que comentam é sobre você.

É angustiante tanto para você quanto pra mim, pode acreditar. Te reduziram a um simples corpo magricelo e vivem fazendo comparações ao oque você era, porque é o que era melhor tende um dia voltar a ser bom, não é mesmo? Mas, nem sempre isso acontece.

Parece que você está preso naquele cubículo do Ensino Fundamental, onde falavam das suas olheiras e te chamavam de noiva cadáver, onde se te vissem de cabelo preso viriam zoar a sua testa, o clássico “esqueletinho” e o pior... a lista de garotas mais feias da escola. Mas, você passou por TUDO isso, nem sempre tão firme e forte, porém, você venceu.. mesmo com todas suas cicatrizes.

As palavras batem e são absorvidas.. serão perpetuadas por um tempo ainda quando eu te observar na frente do espelho, contudo, eu te abraço e digo que tudo irá ficar bem, eu o amo, o amo de verdade. Eu amo a pinta que tenho na minha barriga, meus braços magricelas, as pernas finas e grandes, eu amo cada partícula dessa minha imensidão.

Eu sei que você vai falar “mas, nem sempre você me ama” e isso está certo, existem momentos que eu o odeio e trago como verdade absoluta as palavras alheias e te julgo, te xingo e te odeio, toda via, volto atrás e te peço desculpa. As pessoas não têm noção do poder de algumas palavras na vida das outras, por isso, devemos repensar sempre em nossas atitudes, vivendo e aprendendo, né?

Elas só se preocupam com você, assim como eu também. Porém, dói. Devemos aprender a lidar com os nossos problemas sozinhos e crescer, a vida não vai ser mais fácil com você só por causa do seu sentimentalismo.

Mas, posso fazer uma pequena promessa pra você.. vou te levar a lugares bons, criar memórias boas e algumas nem tão legais, contudo, sempre estaremos juntos. Um apoiando o outro.
Obrigada por tudo, eu te amo, meu pequeno corpo magricela.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Um dia

Um dia.

Eu não posso te afirmar onde, quando ou como isso vai acontecer, mas, será quando você menos esperar. Um dia, você vai encontrar alguém com quem você possa compartilhar todas as suas preocupações, alguém que tu não pense duas vezes antes de dividir a batata frita, vai tramar planos e criar todo um universo junto da pessoa.

Não ao redor dela, mas, junto dela. Lembre-se que você deve transbordar de amor próprio antes de se apaixonar por alguém.

Amor é arrepio, por do sol na praia, pão de queijo recém tirado do forno, amar é preencher todos os cantos que estavam quebrados ou vazios, é traçar cada linha da sua vida com cuidado e empenho, é orgulhar-se e celebrar cada conquista da pessoa que tu gosta.

É saber como a pessoa está só pela entonação da voz, compreender tudo com apenas um olhar, é abraçar, fechar os olhos, suspirar e não se sentir incomodado com o silêncio. Basta sentir.

Eu te prometo que, um dia, esse texto vai se encaixar e ainda vai ser pouco pra expressar o que tu vais estar sentindo.

Ele vai se resumir em apenas um nome.


O nome da pessoa que tu vais amar.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Pseudo relacionamentos.


Eu sempre me vi tentando escrever sobre amor, relacionamentos e afins, mas, tem algo que vem me incomodando há um tempo, vou resumir em: pseudos relacionamentos.

Tu confia na pessoa, acha que ela tá te fazendo bem, afinal, “normal” não deixar sair com os amigos, né? É cuidado, ele apenas está preocupado contigo, a cidade anda tão perigosa.. “normal” reclamar do tipo de roupa que você sai “amor, eu sei que tá um calor imenso,mas, tem que usar um short tão curto? Coloca uma calça..”, “normal” fazer joguinhos psicológicos dos quais você começa a se achar louca.

Mana, NADA disso é normal.

Tens que pensar no que VOCÊ quer fazer, no que VOCÊ se sentir a vontade, no que vai te fazer FELIZ, a partir do momento que estais num relacionamento e se sente mais infeliz do que qualquer outra coisa, mana, isso não é um relacionamento, detesto te dizer.

Sei que eu não tenho moral pra falar algo do tipo, afinal, não tive muitos relacionamentos, porém, é um conselho, você pode aceitar ou não. Eu sei que vocês tem uma história, tiveram momentos lindos juntos e que ele não era assim, acreditas que ele vai mudar, não é? Afinal, ele sempre foi o príncipe que tanto esperastes..

MANA, NÓS NÃO VIVEMOS NUM CONTO DE FADAS.
Aqui é vida real e na vida real você tá presa nesse ciclo que está te destruindo aos poucos.

Então, tu me perguntas “é fácil falar.. eu não consigo terminar, eu amo tanto ele” ô, mulher, isso não é amor, é PENITÊNCIA! Acredite, tu não estais só, mesmo que tu não percebas, teus amigos estão contigo, eles não são “chatos” que só sabem reclamar do teu namorado, se TODOS eles reclamam, algum mal tem, não achas? Agarre-se neles, peça ajuda, isso não é nenhuma vergonha, ser orgulhosa não vai te levar a lugar nenhum. Pelo contrário, só vai te fazer afundar mais.

Eu digo, do fundo do meu coração, te liberta, tu apenas está vendo a ponta do iceberg, mas, tem muita coisa por baixo ainda. Tu és incrível, bem humorada, tem um sorriso lindo, não te deixa amendrontar, coloca o teu batom vermelho, aquele vestido que tu tanto gosta( e não usa por medo da reação dele) e VAI VIVER! Eu te digo, vai valer MUITO A PENA!

Força, mana!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Voar.

Eu-lírico masculino.


Ela tinha três sinais que formavam um triangulo nas suas costas, nunca fui de reparar em detalhes, engraçado como as coisas mudam. Agora reparo em todo e qualquer detalhe dela, a maneira de andar meio desfilando, o jeito de que quando esta nervosa não consegue parar de falar,de querer assistir todos os filmes,mas, sempre ficar indecisa por qual começar e acabar não assistindo nenhum.

Sempre fui desligado da minha vida, tanto pessoal, quanto academicamente. Não culpo signos, minha preguiça ou mil tantas outras coisas,só que simplesmente sou assim. Vivo desligado, caminhando há lugar nenhum, nunca tive algo realmente interessante pra contar… só assistia a vida passar.

E foi assistindo que a encontrei, da maneira mais inesperada possível. Avisto um grupo de garotas pelos corredores da universidade e ela fazendo algum tipo de dança, escutei rapidamente ela comentar algo como “a dancinha da felicidade”, ela mexia os braços e pernas do jeito mais hilário que já vi na vida, nunca vou esquecer essa cena.

Foi o jeito sem vergonha dela que me encantou, o jeito único de ver a vida…

Não estou a colocando num pedestal, por que ela tinha seus problemas sim e como tinha.. numa conversa comigo, ela citou algo que não consigo esquecer “passarinhos que vivem em gaiolas acreditam que voar seja doença” Ela era o passarinho. Sim, aquela garota que ocupava-se em fazer os outros felizes, vivia presa numa gaiola.

Só que, apesar de tudo, mesmo se abatendo de vez em quando… não perdia a sua essência, continuava fazendo piadinhas com coisas idiotas e me dando um sentido na vida.

Agora entendo que a vida está muito muito muito além do que se vê, tem seus altos e baixos, que devemos viver um dia de cada vez e que apesar de pessoas ruins terem passado nas nossas vidas devemos extrair coisas boas disso. Pessoas vêm e vão, nossa vida é com aqueles que ficam.

Guardar mágoas só te atrasa, te leva pro lado negro da força, tem que haver um equilíbrio. Ela me ensinou isso. A garota dos olhos grandes, do batom vermelho, dos cachos com as pontas queimadas pelo sol, que tem vênus em capricórnio,mas, é totalmente pisciana.



A minha garota, a menina que eu espero um dia conhecer… que irá vencer e, enfim, voar pra onde quiser.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Eu gravei um CD.



Vestido dois dedos acima do joelhos, batom vermelho, o cabelo preso num rabo de cavalo com dois fios soltos sob a minha testa, o jeito que você gostava, que amava e me mimava. Hoje não era uma segunda qualquer, não era aquele tipo de segunda que as pessoas odeiam, a segunda da ressaca, era uma segunda calma, preguiçosa.. era a nossa segunda.

Tinha passado a maior parte da noite separando as minhas músicas preferidas e as nossas músicas acabou que eu gravei tudo num CD, eu sei o quanto soa brega, mas, quem disse que o amor não é brega?! Amor é correr pelo parque sem medo do que as pessoas vão pensar, é pedir mc lanche feliz só por causa do brinde, é tocar três vezes a campainha da sua casa por que é o nosso “bat-sinal”, é sentar na beira da cama do seu quarto só pra sentir o seu cheiro.

Cada um tem a sua definição, vale lembrar. Mas, é um sentimento universal. Lembro dos detalhes: Nesse dia, você estava com a sua camisa preferida do batman, você tinha tentado cortar o seu cabelo sozinho e tinha dado tudo errado, além de estar com os seus óculos cheios de água, pois, estava caindo uma chuva torrencial. Tudo normal.

Foi então que você não sorriu mais, não me abraçou mais, não era mais o mesmo. A aparência era a igual, mas, o interior, tudo tinha mudado. Me perguntava como isso tudo tinha acontecido tão rápido. Eu tenho apenas lapsos daquele dia “Precisamos conversar” “Não tá dando certo”.

Aquelas frases clichês que a gente sempre fala mas, nunca quer escutar.

E o CD 
ficou
cheio
de
poeira.
 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A cobrança.


Tenho que emprestar três livros na biblioteca, mas, peguei multa, pois, não devolvi o último no prazo estabelecido, tenho relatório do estágio pra fazer, resenha pra entregar, publicar artigo.. enriquecer o lattes, enriquecer o lattes.. tenho que me formar no tempo certo. NÃO! Tenho que me formar e conseguir emprego logo em seguida. NÃO! Tenho que me formar, conseguir um BOM emprego, estudar pra concurso público, fazer um mestrado fora do País.. é ,pra começar, tá bom! 
  
Já parou pra pensar o quanto você se cobra todos os dias? Somos pressionados desde o ensino médio pra escolher a profissão certa, passar no vestibular em uma faculdade pública, etc, mas, esquecem o fato de que somos jovens, adolescentes, puberdade, vamos ser sinceros, que até pra escolher aquele fast food você pensa.. pensa.. pensa e acaba pedindo o de sempre. Imagina pra escolher o curso que você vai trabalhar pro resto da sua vida? E não, você não pode nem pensar em passar e ver que aquilo não era nada do que tu querias, não podes largar o curso, por que “é perda de tempo” “vai voltar pro cursinho de novo?” “mas, aguenta até o final, tá quase pra se formar” 
  
PAREM! 

Pensem é melhor largar algo que tu não gosta agora do que ser um profissional frustrado, alguém que acorda todas as manhãs e pensa “queria ficar na cama, não queria trabalhar ” é um sentimento que vai te dominando aos poucos e te FRUSTA! Em vez de só ver o lado ruim( por que somos tendenciados há quase sempre sermos negativos com tudo! “Não vou passar nessa prova” “Deixa pra próxima, não vou ganhar mesmo” “Esse vestido é lindo, mas, me deixa gorda” ), por isso, devemos ser sempre gentis com as pessoas ao nosso redor, pelo simples fato de que NÃO SABEMOS O QUE ELA ESTA PASSANDO! 
   
Não imaginamos que ela se olha no espelho todos os dias e não consegue amar nada do que ali, no quanto ela chora no dia anterior de uma apresentação de seminário por ser tímida demais pra falar em público, as inseguranças que ela vive dentro da sua própria casa. 

Por isso, eu queria pedir pra quem leu até aqui fazer um exercíciozinho , é rápido e indolor, eu prometo. Pega um papel, escreve as suas inseguranças, coloca dentro de uma caixinha e vai pra frente do espelho. aquilo que tá escrito e faz o seguinte questionamento “ por que isso me amedronta?” 
  
Não querendo dizer que esse exercício vai te fazer melhorar 100%, mas, é um pequeno passo. Uma autorreflexão, você pode ser melhor, você pode ser quem VOCÊ quiser, fazer o curso que quiser, pare com essa cobrança exacerbada em tudo! Corra atrás daquilo que te faz feliz e QUEIME TODAS AS SUAS INSEGURANÇAS!

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Postando textos antigos e acumulados.

A temida.



Eu-lírico: Masculino.

Ela desenhou uma linha no chão separando-nos, tudo bem que a linha era tudo coisa da minha cabeça, mas, era assim que eu me sentia. Estávamos juntos, porém, uma linha tênue nos separava. Não sei explicar o bem que ela me faz,não teve data marcada, não teve hora, sabe aquilo que todos chamam de "destino" ? Aquela coisa clichê bem filme sessão da tarde. Só que não nos esbarramos numa livraria, ela não me encontrou pra fazer uma pesquisa sobre "como se conquistar um homem", não foi em um grupo de apoio, muito menos em um campo de batalha onde eu teria que mata-la pra sobreviver.

Aconteceu. Quando eu me dei conta, já via o sorriso dela estampado em todas as revistas, experimentava coisas novas e só pensava no quanto queria dividi-las com ela, passava a noite vendo filmes de terror, por mais que eu não gostasse tanto(sou fã mesmo de comédia), por que eu amo o jeito que você cruza as mãos e fecha os olhos pedindo pra protagonista não ir por aquele caminho. E o melhor de tudo? É que era simples. Era eu e você.

Eu não precisava me sacrificar pelo seu amor, não precisava morrer de ciúmes, não precisava te proibir de nada, continuava com o meu futebol de sexta e você saía com as suas amigas pra jantar. Sem regras, simplesmente amor.

E agora vocês me perguntam: cadê essa tal linha que eu não vejo? Eis aqui, foi então que a mulher que eu amo começou a me contar coisas que eu não queria saber, os caras que você queria ficar, começou a trocar os nossos filmes de terror por um "vou jantar com o fulano hoje, quem sabe rola, né?"

Todos ao meu redor viam o quanto eu sofria com isso tudo e me incentivavam a sair disso, mas, eu me perguntava "se todos conseguem ver o quanto eu te amo, por que você não percebe isso?!"

O que era antes tratado como um "sim" se tornou num eterno "talvez" . E o que mais me doía era a maneira como tudo se transformou, num piscar de olhos, me vi ali, na zona mais temida por todo e qualquer homem: A Friendzone.


Amores descartáveis, esse deveria ser o nome do tempo em que estamos, ninguém se preocupa mais com o seu parceiro, mas, sim com o seu próprio bem estar, o "nós" se tornou "eu" e ser romântico então? Se tornou algo raríssimo.

Acredito que, de alguma maneira, você está destinado a alguém. Sem datas, quando você menos esperar, o sentimento aparece. Essa que é a graça da peça e você vai montando aos poucos e percebe que tudo não passa de um grande quebra cabeça,o qual não pode ser montado sozinho, tem que ser jogado em dupla.

Não adianta mendigar o amor de quem não se sacrifica nem um pouco por você, não adianta fazer milhares de declarações pro mundo se quando está sozinho com ela ou ele prefere ficar mexendo no celular e muito menos ficar remoendo assunto dos passados, você deve ser sincero, jogar tudo em pratos limpos e depois esquecer.

O destino gosta de brincar com a gente de uma tal maneira que você não imaginaria, por exemplo, com a convivência você pode descobrir que já estudou no mesmo colégio que a pessoa que você gosta só que em anos diferentes, podem descobrir que costumam frequentar os mesmo lugares e se espantar por nunca terem se esbarrado antes.

É como dizem, tudo acontece no momento e na hora certa. Não adianta dar um passo maior que a perna. Pra que gritar aos quatro ventos "Eu preciso de alguém pra me amar!" Antes de alguém te amar, você tem que se amar, você tem se curtir, você tem que se aceitar, não adianta você querer se doar pra outra pessoa antes de gostar de si.

Amar não é fácil, nunca foi, nunca será. E é por isso que muita gente desiste logo de inicio, pensam "ah, se essa pessoa não  me quer, tem outra me querendo" e fica nesse ciclo sem fim, sempre jogando, ludibriando, iludindo, a pessoa  não atenta-se pro fato de que o único ser mais prejudicado disso tudo será ela. Pois, no final, quem vai estar só?

Acima de tudo é deixar o individualismo de lado, logicamente não é "seguir um livro de regras", é libertar-se de tudo e de todos. É achar um ponto de paz no meio dessa crise que estamos. Amar é um ato de resistência.